Os caminhos das M&Ms

Myanmar

Não tinhamos certeza de ir para o Myanmar, por causa das condições de entrada difíceis, que nos obrigaria a pegar um vôo. Mas, seguindo as fortes recomendações dos nossos amigos, decidimos visitar este país. E não nos arrependemos, as tradições são ainda muito presentes, os locais de visitação são excepcionais, e o povo muito simpático (podemos dizer que eles ainda não estão cansados dos turistas). Guardaremos uma lembrança muito boa da nossa passagem por Myanmar. Bom, menos a Malu que mesmo após duas semanas, não se acostumou e continuava incomodada pelos dentes vermelhos e podres dos homens (e pelos guspes), devido a mastigação de noz de betel o dia todo! Isso faz parte dos costumes locais, que são bem diferentes dos nossos!  Os homens continuam vestindo o sarong tradicional e as mulheres e as crianças passam no rosto um creme de cor alaranjada , chamada thanaka, desenhando diferentes motivos (mais ou menos bonitos).

0_geral

O país passou por várias ditaturas militares e ficou muito tempo isolado, fechado, começou a se abrir apenas recentemente e está em plena mutação para a democracia. Chegamos pouco tempo depois das eleções de novembro e a vitória do partido da oponente Aung San Suu Kyi (partido da Liga Nacional para a Democracia), que militou muito tempo contra a ditadura no seu pais e recebeu o premio Nobel da Paz em 1991.

Os detalhes

A primeira vez que traçamos o nosso itinerário, queríamos entrar em Myanmar pela estrada desde o Norte da Tailandia. Mas lemos que as condiçoes de entrada nos postos de fronteira terrestres eram muito complicadas, algumas fronteiras são totalmente fechadas, outras são abertas mas existema condições muito restritivas para o resto do percurso uma vez em Myanmar, pois algumas áreas não podem ser atravessadas, e tudo isso muda deum dia para outro. Por isso, pegamos um voo e chegamos em Mandalay.

Mandalay

Em Mandalay, fomos surpresas pelos templos e pagodas, que eram muito diferentes dos visitados até hoje. Os complexos de templos são enormes e cheios de fiéis, e não tem quase nenhum turista, isso muda também! E é emocionante todo esse fervor! No centro de Mandalay, o acesso ao forte, cercado por um canal de 75m de largura, está muito controlado e os turistas somente podem entrar no forte para visitar o palácio.

1_mandalay

Alugamos um scooter para visitar as antigas capitais ao redor de Mandalay: Amapura e a ponte U Bein, toda de madeira (a maior ponte em madeira teca do mundo), Sagaing e os múltiplos templos construídos acima da colina, e enfim Inwa e as ruinas, principalmente o monastério Bogaya Kyaung, todo em madeira teca também. Para chegar em Inwa, tivemos que pegar um barquinho para atravessar o rio, com o scooter foi um pouco temeroso por que ficamos com medo dele terminar na água, mas deu tudo certo!!

2_capitales-mandalay

A noite, subimos a montanha de Mondalay (fomos de scooter, era bem íngreme mas tivemos cuidado deste vez!), para ver o por do sol. Era bem lotado (mas onde estavam  todos esses turistas, que não vimos durante o dia?) mas a vista era legal!

3_coucher-soleil-montagne

As nossas noites em Mandalay também foram boas. A primeira noite aproveitamos do por do sol com vista para o rio Ayarwaddy, desde o hotel Ayarwaddy River View. No elevador, tinha uma placa escrito “happy hour free flow cocktail”, aí pensamos que mais uma vez o nosso inglès era muito ruim et que não estávamos entendendo direito, mas não! Tinha realmente um rodízio de coktail de graça das 18h as 19h! Incrivel! E o por do sol era bem bonito!! A volta em scooter foi um pouco dificil, ainda mas que o celular ficou sem bateria e ficamos perdidinhas sem gps para voltar, “hum, onde era mesmo o hotel?”!

4_couher-soleil-riviere

A segunda noite, fomos numa beer station (ou seja, um bar), o bar estava cheio e dois birmaneses dividiram a nossa mesa e pagaram as nossas cervejas! O inglês era um pouco limitado (tanto da parte dos birmaneses quanto da nossa), e a conversa ficou bem no básico, mas pelo menos eles nos fizeram descobrir que podíamos ganhar presentes bebendo a cerveja da marca Myanmar, a Malu adorou, é claro! Na cápsula, retirando a parte branca, tem uma frase escrita que diz qual é o prêmio, e é possível ganhar dinheiro (que paga parte da cerveja), ou ainda ganhar uma cerveja, ou ainda o jackpot de vários milhões. E se ganha com bastante frequência uns pequenos prêmios, vale muito a pena olhar! Foi um pouco dificil lembrar quais eram os premios, e qual era a mensagem em birmanês do “Obrigada, você não ganhou desta vez”, mas o pessoal dos bares nos ajudavam! E a Malu fez uma bela coleção!

5_bieres

Bagan

Bagan é o principal destino turistico de Myanmar e entendemos porque, a vista sobre a planície e os milhões de templos é uma coisa extraordinária!! O nascer do sol, as suas cores e a vista dos balões que fazem passeio de manhãzinha é um momento mágico, vale a pena levantar as 4h30 da manhã!! Passeamos de bicicleta elétrica através dos templos durante dois dias, foi bem legal! Tem tantos templos que poderíamos passar uma semana, mas para nós, dois dias foi ótimo! O primeiro dia, passeamos tanto que a bateria da bicicleta de Maic acabou, e ela teve que voltar pedalando no escuro!!

6_Bagan

Bagan foi realmente um momento especial da nossa viagem!

Lac Inle

Para chegar no lago Inle, tinhamos previsto inicialmente de fazer um trek de 2 dias, saindo de Kalaw, uma cidade próxima. Mas a agência que contatamos não oferecia o trek nas nossas datas, pois era a festa da lua cheia. Tinha uma grande festa de balões em Taunggyi (hot air balloon festival), uma cidade próxima, e outras festas menores em outras cidades inclusive Kalaw. Tudo bem, iríamos então na festa dos balões no lugar de fazer o trek (na verdade a Malu ficou bem feliz com a mudança)! Depois de quase gastar uma fortuna para ir para a festa (o hotel só nos propunha um taxi privado enquanto era possível dividir uma camionete-taxi com um preço bem mais razoável), chegamos em uma grande festa popular, os balões só saiam a cada hora porque a preparação entre um balão e outro demorava bastante, e no final era um pouco decepcionante. A Maic estava um pouco preocupada com os balões, que lançavam fogos de artifícios! E ela tinha razão, pois um dos balões pegou fogo e atirou fogos de artificios pra todo lado… mas parece que não teve nenhum ferido, felizmente. Além dos balões, as rodas gigantes também nos impressionaram muito! São rodas manuais em madeira, e os jovens birmaneses fazem a roda girar escalando a roda e se pendurando nas gondolas! Mas globalmente, não achamos que esse festival seja a altura da sua reputação, estávamos esperando bem mais!

7_ballons

 Passamos alguns dias no Lago Inle e fizemos o tour clássico de barco: mercado do dia (o mercado é rotativo e acontece em um vilarejo diferente cada dia), fábrica artesanal de tecelagem de seda e de charutos (cheeroots, o charuto birmanês), e a visita de alguns monastérios, templos e pagodas ao redor do lago. Gostamos do passeio, ele é bastante variado, as vezes pode ser um pouco turistico mas saimos cedo e não tivemos problema com isso. No lago há uma certa atmosfera de serenidade e nos sentimos um pouco fora do tempo quando atravessamos tranquilamente os vilarejos sobre palafita e os jardins flutuantes. A vida não mudou muito por aqui! Cruzamos alguns pescadores, que tem a particularidade de remar em equilibro, enrolando a perna no ramo, é impressionante. Alguns pescadores, hoje são os que ficam nas canoas tradicionais com os covos bonitos (as armadilhas para os peixes), que posam só para a foto, mas não deixa de ser bonito (uma pena que o nosso barco não parou). Gostamos muito do vilarejo e das ruinas de In Dein, com as suas centenas de estupas doradas. Chegamos no vilarejo de barco por um pequeno canal, e logo subimos a montanha até o templo, o cenário é muito agradável e o local bem espetacular.

8_lacInle

Fizemos também um passeio de bicleta ao redor do lago (pegando um barco para atravessar o lago em algum ponto), foi bem legal, mas o mais legal do passeio foi a parada bem merecida no vinhedo Red Moutains no final da tarde, nas montanhas ao redor do lago. Tinhamos encontrado dois meninos do Quebec no caminho, com quem dividimos algumas garrafas de vinho, o vinho era bom e fazia muito tempo que não bebíamos, aproveitamos bastante deste momento!! Na volta já tinha anoiteceido e não tinhamos nenhuma luz nas bicicletas (apenas a luz do celular e da lanterna), ainda bem que não estávamos muito longe do hotel (talvez 4 ou 5 km?). Na estrada, um sueco nos ultrapassou (em uma bicicleta com luz) e passamos a segui-lo! Ele parou em um bar e… seguimos novamente!! Algumas cervejas mais tarde, pegamos as  bicicletas para voltar para o hotel, mas faltava um pouco de equilibrio, tanto que acabamos o trajeto em pé, com a bicicleta ao lado (especialmente depois que a Malu caiu duas vezes)!

9_velo

A festa dos balões tinha atraído muita gente de todo o país e quando quisemos pegar as passagem de ônibus para Yangon, não tinha mais lugar para o dia que queriamos, nem para os dois dias seguintes!! Tivemos que prorrogar a nossa estadia no lago Inle! Realmente, esse festival  nos atrapalhou!!

Nesses dias extras, além de recuperar da noite anterior e tentar, bem ou mal, acessar a internet para preparar a continuação da viagem, fizemos um pequeno passeio nas montanhas e vilarejos próximos, acompanhadas de um guia de uma pequena agência local. Foi perfeito, curto mas agradável, e nada de muito turístico. Na metade do caminho, visitamos uma caverna onde os monges vem procurar tranquilidade para meditar, e depois paramos em uma pequena casa para tomar uma bebida refrescante a base de arroz (era um pouco especial), nos divertimos bastante com os nossos anfitriões, mesmo sem nos entender muito!

10_trek

Yangon

Yangon é a capital econômica e a maior cidade do país, é uma cidade cheia de vida e colorida, mas as construções são ás vezes (ou muitas vezes) degradadas, e muitos edificios antigos, os da epóca colonial, não foram restaurados. No centro da cidade, existem  vários pequenos restaurantes de rua e pequenas casas de chá, são bem animados. A Malu, que estava com saudade de comida ocidental, ficou procurando sem achar! Até que finalmente terminamos em um fast food local, que existe em vários países da Asia, se chama Lotteria (apesar do nome, se trata sim de asas de frango e de hamburgers)! A Maic provou várias coisas na rua, mas não sabe o nome!

Nosso dia em Yangon foi bem cheio. Chegamos com o ônibus de noite pelas 7h da manhã e começamos por um super café da manhã local (sopa, macarrão e chá, tudo isso por menos de $1) na rodoviária para recuperar da viagem e nos preparar psicologicamente para as negociações com os taxistas para ir no centro da cidade. Achamos o nosso táxi e chegamos no hotel, mas no hotel errado (havia 3 hoteis com o mesmo nome) e tivemos que andar 20 minutos com as nossas mochilas grandes para chegar no hotel certo (tudo isso para não ter que renegociar um táxi). Depois de uma pequena siesta e outro café da manhã no hotel, estávamos prontas para a visita da cidade, que foi sinteticamente assim: passeio no centro da cidade pelos edificios colonias e pelos bairros indianos e chineses; passagem rápida pelo mercado Bogyoke Aung San, que é muito turístico e talvez muito bom para fazer compras mas não era o nosso caso; visita da pagoda Schwegadon, principal atração túristica e primeiro centro religioso do Myanmar, com um estupa de 94m de altura; pequeno passeio no lago Kandawgy; café da tarde no Sky Bistro no alto da Sakura Tower para uma vista geral da cidade (mas nada excepcional); pequeno passeio pelo rio (esperando aproveitar do por do sol com uma cerveja mas não foi possível, a margem do rio não é urbanizada); e enfim procura do nosso jantar (ou almoço-jantar, pois os 2 cafés da manhã nos permitiram agüentar até là).

11_Yangoon

De Myanmar, pegamos um voo para Kuala Lumpur, no objetivo de chegar alguns dias depois no Sul da Tailandia (se vocês estão um pouco perdidos no nosso itinerário, é normal)! A continuação em um próximo post!

Detalhes práticos e recomandações:

A hospedagem é cara no Myanmar comparado com outros países da região, o café da manhã é geralmente incluso e a conexão wifi é geralmente um problema (não sejam exigentes, as vezes funciona e outras não). Segue os nossos endereços:

  • Bagan: tem dois bairros para se hospedar, New Bagan e Nyaung U (tem também Old Bagan mas é muito caro), ficamos em New Bagan no hotel Bagan Nova (40$ com café da manhã), o hotel é caro mas foi o mais barato que achamos no booking.com nas nossas datas e pelo menos foi muito bom, até o wifi funcionava! Deve ser possível achar mais barato indo para Nyaung U, sem reservar, e procurando diretamente nos hotéis.
  • Lago Inle (Nyaung Shwe): recomendamos NK Little Inn, que fica na frente do Gold Star Hotel (onde ficamos no começo), é uma pequena pousada, quartos a 20$ ou 35$ com café da manhã e o wifi é ok (bem melhor que no Gold Star, pelo menos).
  • Mandalay: Ocean Pearl Inn 3 (25$/noite com café da manhã, banheiro compartilhado), simples mas confortável, oferece transfer gratuito para o aeroporto, e o wifi também é OK.
  • Lago Inle: recomendamos também a pequena agência familial do Mr. Shwengar (na mesma rua que o hotel NK Little Inn), passamos por eles várias vezes para fazer atividades e/ou organizar transporte, o inglês é um pouco limitado, mas as pessoas são simpáticas, confiáveis e oferecem prestações personalizadas. Mas eles não são muito esportivos então para um trek de vários dias, não é a agência ideal!

Deixe uma resposta